sexta-feira, novembro 04, 2005

Aniversário De Professores

Acabado de chegar de uma pequena festa de aniversário de um professor, e como se compreende, os professores eram a maioria e ainda como reflexo das provocações que um professor dito universitário tem feito nos comentários deste blog, não posso deixar de partilhar com os leitores esta pequena história, contada por um professor, testemunha ocular do acontecimento.

Numa determinada escola, num determinado concelho, lá para os lados do Alentejo, um determinado professor, mestrando de um determinado mestrado, sindicalista, sumariava consecutivamente as suas aulas como "tema livre".

Intrigado, este meu amigo professor, investigou junto dos seus alunos quais os temas livres que invariavelmente os alunos aprendiam.

E chegou a uma conclusão: berlindes.

Remata-lhe um aluno, com tiro certeiro:

- "O sotôr X joga muito bem berlindes e então decidiu que as aulas seriam passadas num canto do recreio, a jogar e a ensinar-nos a jogar ao berlinde!"

Mas ao contrário do outro professor, não penso que todos os professores sejam ases do berlinde, nem que substituam as suas aulas por aulas de berlinde, nem tão pouco responsabilizo o berlinde pelo estado do nosso ensino.

Este é que será uma caso esporádico.

79 comentários:

Raúl R Boldão disse...

Com este post... a verdade lhe digo! Era melhor hibernar!

Se voçê gosta de "limpar" a sua classe, e separar o trigo do joio, também eu. E mais acrescento, que esse professor fosse da minha instituição, não havia mais berlindes!

Não gostou da companhia dos professores?

Anónimo disse...

acho que não vale a pena hibernar , mas acho que vale a pena voltar aos moldes antigos de "no coments". não deixe de escrever o que lhe apetece , afinal o blog é seu , e não aceite ordens nem lições de ninguem .deixe os boldões desta vida a falar sozinhos e faça\escreva o que lhe der na real gana
abracios e bom fim de semana

Sandra Feliciano disse...

MEMI, não hiberne que não vale a pena. Há muito boa gente que gosta de vir aqui e de o ler.

Este blog é seu, e um blog é, na blogosfera, como uma casa na vida real.

E acredito que numa qualquer casa, quem deve ditar as regras é o anfitrião.

Quanto aos visitantes, ou educadamente se sabem comportar de acordo com essas regras, ou então devem ser convidados a sair e a não voltar enquanto não aprenderem a comportar-se. E isto aplica-se tanto ao senhor boldão, como a qualquer outro (anónimo ou não).

Neste momento tenho sérias dúvidas que o senhor Boldão exista de facto, pelo menos com o nome e a profissão sob os quais se apresenta. Hoje em dia é muito dificil a qualquer cidadão ser totalmente "invisivel" na internet, ainda por cima tendo uma suposta carreira académica, e o senhor "raul r boldão" ou "raul boldão", é estranhamente invisivel na dita, o que não deixa de ser um facto muito curioso!... ;-)

Já me ocorreu até que não passe de um mero personagem de ficcção criado pelo próprio MEMI ou por outro alguém com objectivos de dinamização da discussão aqui neste blog, mas realmene a coisa ultimamente tem andado a tomar proproções que já roçam o esquifrénico. Se for isso, mais vale correr com este personagem e arranjar outro com um discurso mais interessante, mais consolidado em factos objectivos e mais... inteligente!

E personagem ou não, correr com ele é facil e até pode ser feito de diversas formas:
1) A forma activa: Censurar-lhe os comentários, apagando-os como se faz com os de spam (aliás a diferença nem é muito grande!)
2) A forma passiva: Ignorá-lo simplesmente e vencê-lo pelo cansaço. Se ninguém lhe der trela, ele acabará por desistir.

Luis disse...

Sandra, não sei se concorde consigo...

É certo que muita da discussão se processa num tom azedo e sem decoro (por encontrar uma maneira suave de o descrever!), mas, se reparar, esta discussão e os seus altos e baixos têm trazido à luz do dia muitos dos podres com os que a sociedade portuguesa actualmente se debate!!

É certo que as discussões não devem entrar num tom "berejeiro", pois estaremos a falar de pessoas educadas e com uma posição social elevada (supostamente, não é?).

Mas, repare, que quanto mais se "fere" algum interlocutor nesta discussão, mais informação "classificada" é revelada... E isto é óptimo!! Por exemplo, ficamos a saber que os amigos do "fictício" professor :"Tenho conhecidos (médicos) que se gabam de ganhar "milhares de contos", devido aos "regimes de prevenção e horas extra" que não são cumpridos... porque os "doutores" ou estão a trabalhar noutro lado (mesmo com o regime de exclusividade!!) ou estão bem longe a passear com a família!!", e que inclusive estes são o J., o M. e a F. E que por serem seus amigos, o fictício jovem não os denuncia!! Bem, isto chama-se hipocrisia, tendo em conta o discurso do raul.

Ora, isto, para mim, iniciante na carreira, é fantástico!! Porquê? Porque se quiser mudar alguma coisa, já sei os pontos quentes e os truques aos quais terei de estar atento no futuro...

Eu nasci e vivi numa aldeia pequena, onde tudo funcionava bem porque as pessoas eram honestas, simples e trabalhadoras. Eu pertencia à classe média, e nunca me envergonhei de ter que trabalhar para conseguir aquilo que queria...Porque esta era a lei!! E também não vai ser agora que isso vai mudar!
No entanto, desde que cheguei À cidade comecei a constatar o "podre" que corroi a nossa sociedade, e o porquê deste acontecer!! E deixe-me que lhe digam que, na minha visão de agente de mudança, é importantíssimo conhecer os esquemas, os motivos e as personalidades das pessoas envolvidas nos mesmos!! É por existir demasiada cobiça, ambição, esperteza saloia, e "amizade" que as coisas não mudam... Há muito bons médicos neste país...E muitos maus...Mas, efectivamente, as pessoas começam a acordar...Reclamam os seus direitos!! E muito bem...

A todos os honestos preocupados e trabalhadores, não há nada a temer com a extinçaõ do corporativismo, porque "Quem não deve, não teme!" Mais é escusado dizer...

A mim, sinceramente, não me incomoda que haja médicos ricos, nem pouco mais ou menos! incomoda-me é que haja médicos que deixam doentes morrer e "deteriorar-se" por desleixo ou incompetência...isto é que é um grande problema!!

O anonimato serve de fachada para muitas falácias na net, mas por outro lado, não impede o essencial, que é a transmissão de informação!! Agora, já todos sabemos mais do que sabiamos antes desta discussão começar...

Mais, raul, mais lhe valia "arrumar a sua casa, antes de partir para a dos vizinho". Portugal, no geral, vai mal por causa do mau ensino!! 40% dos indivíduos abaixo dos 25 anos só tem o 9º ano de escolaridade, que hoje em dia, dá pra carregar tijolos e passar a ferro...Os professores deviam esmerar-se em evoluir, compreender, puxar pelo intelecto dos alunos...Todos temos cérebro, porque é que uns sabem usá-lo e outros não? A resposta está no ensino....Na educação dos pais...Nos métodos dos professores...Nas ambições e expectativas geradas nos alunos...Os melhores professores que tive até hoje, ensinaram duas coisas: a pensar e a compreender o mundo em que vivemos!! E veja...19 de média de secundário...e 18,5 nos exames nacionais!! Não era só bom na minha escola (ou seja, não me davam as notas!)Era bom a nível nacional...E isto pelos professores que tive...Colegas meus, com tantas capacidades como eu, mas professores diferentes, não desenvolveram em pleno o seu potencial...desperdício!!

Mais uma achega:

os juízes são o pilar da justiça

os professores o pilar do ensino numa sociedade

os polícias os pilares da segurança e cumprimento da justiça

os médicos o pilar da saúde e do bem-estar...

No final, diga lá qual é a grande diferença entre todos? Hmmm?

O mal de portugal é que toda a gente quer ser rica, mas sem trabalhar!! Seja quem for...É um dos males do 25 de Abril...O facilitismo e a corrupção!!! SAbe qual é a taxa de fraude e copianço nos exames das instituições de ensino em Portugal...?? escuso-me a comentar mais...Vão a uma faculdade e assistam a exames disfarçados de pretensos alunos! É só apreciar o triste panorama...
Não há-de admirar que indivíduos com canudos sejam assaz incompetentes...Mas mais incompetente é quem os coloca em cargos de chefia...No comments!

Esta discussão é interessantissima, porque leva a discutir porque e que o nosso pais vai de mal a pior...

São os primeiros sintomas de uma morte anunciada...A nossa sociedade, gerida e sustida por nós, portugueses, não tem um futuro brilhante...E sabe-se lá se terá sequer algum futuro...

Raúl R Boldão disse...

Para a Sandra Feliciano:

Quando iniciei os meus comentários neste blog, e de certa forma me apresentei, referi que "Raul R Boldão", sendo a minha apresentação neste blog, não corresponde ao meu nome verdadeiro. Foi dito num dos meus primeiros post. Mais do que tudo, gosto de preservar o meu anonimato, mas como é para si, volto a repetir. Boldão, não é o meu apelido, é uma "alcunha" de infância. Raúl, é real, mas não o meu primeiro nome, uso-o aqui, porque, como eu não o uso profissionalmente, não o encontrará desta forma pela net ou outra forma alternativa. O "R", é de facto a inicial do meu primeiro nome.

Raúl R Boldão disse...

Um pedido para si, MEMI, que se realmente for digno e realmente defensor de uma classe médica mais íntegra, funcional e honesta, “publique” no seu blog este texto que se seguirá dentro de aspas:

“Acedi. Sempre disse que não mais comentaria neste blog, se o anfitrião o pedisse. Ele fez o pedido, que não o respeitei na devida altura, tendo em conta a linguagem deselegante que este usou para se referir à minha pessoa. Respeito-o agora.

Foi triste o facto de não se ter sabido discutir democraticamente estes temas relacionados com o funcionalismo e corporação médica. A falta de argumentos notória, de alguns dos intervenientes traduziram-se, em discussões pouco enriquecedoras e com o objectivo único de atingimento pessoal. Eu sempre fiz as minhas críticas, em relação a uma classe, visto que não conheço de parte alguma o autor deste blog, para o fazer à sua pessoa. O inverso não é aplicável.

O corporativismo médico, assim com um falta de controlo da sua actividade, traduz-se numa “monopolização” da classe no sector da saúde, que não é saudável, arrastando consigo problemas vários, bastante discutidos e comentados neste blog ao longo dos últimos tempos. Além disso a atitude prepotente de grande parte destes profissionais (não é generalizável a toda a classe), para com os cidadãos tem-se reflectido nos elevados índices de violência física e verbal para com estes profissionais. Penso que este facto, reproduz de certa forma o mau estar do país para com esta classe.
Outro grande exemplo da avidez de dinheiro por parte da classe médica, são as constantes greves respeitantes ao pagamento de horas extraordinárias, que devido a um DL caído do céu, os bolsos dos contribuintes são assaltados todos os dias, por médicos que ao invés de serem pagos pelo seu índice salarial, são feitos pelo índice máximo, em regime de exclusividade. Um atentado, num país que, se diz em crise.

É um facto que a diminuição do “poder” médico, começou a ser constado, quando outros profissionais não-médicos, começaram a assumir os cargos de gestão e presidência.

Outro facto relevante, pelo menos para os mais jovens, é o facto de existir várias pressões no sentido, do não aumento dos numerus clausus, nem de faculdades privadas, pois os médicos têm toda a vantagem em manter a razão da oferta/procura favorável à classe, mantendo assim o número de profissionais existentes abaixo do número de profissionais requeridos. Desta maneira, querem manter o poder reivindicativo, que muitas é sempre conseguido pelo facto da não existência de mão-de-obra, o que obriga as entidades a ceder. Em países, onde existem excesso de médicos no mercado, não existe poder reivindicativo, nem subversões profissionais. Espanha e Itália, são bons exemplos. O fluxo actual de médicos estrangeiros vem (digo vem, porque em Portugal, ainda necessitamos de muitos mais médicos para satisfazer as necessidades do sector!), “estragar” um pouco as contas. Penso que também se vem ponderando a abertura de faculdades privadas que acontecerá mais dia menos dia.
No norte, vários médicos foram despedidos de uma entidade e forma substituídos por médicos espanhóis que vieram ser pagos por valores muito mais baixos que os portugueses eram pagos. – Isto demonstra que um maior número de profissionais, é inerente à perda de “poder”, nomeadamente reivindicativo.

À Sandra Feliciano em particular, reitero os meus votos de pesar pelos seus últimos discursos, com indícios explícitos de desrespeito.

Ao Alfredo Vieira, sempre bem-intencionado, mas sempre desadequado.

À Eva Lopes, porque disse o que muitos pensam, mas não se dão ao trabalho sequer de aqui escrever.

Ao Sá Peliteiro, pela sobriedade do seu discurso e conhecedor da realidade.

A todos os outros, incluindo a si –MEMI -, sim sou professor universitário, sim sou anti-corporações e sim sempre agi quando algo estava mal. Devo ser mais velho, que a maioria de vós, nunca foi desrespeitado noutro local e não para aqui o ser.

Queria deixar uma palavra a todos os médicos, que pela sua forma de trabalho, espírito de missão e pela qualidade de cuidados, não se encaixam nos moldes da corporação médica. Esses, serão sempre apoiados! Outra palavra para a classe dos enfermeiros (na qual tenho grandes amigos) que admiro a sua postura, profissionalismo, rigor. Sabem ser e estar.!

Finalizo aqui.

Raul R Boldão”

Agradecido pela publicação do mesmo.

Luis disse...

MEMI,

O último post do professor foi colocado por você? Foi parte de um excerto de um mail a si enviado?

Hmmm...É que deixe-me que lhe diga que esta atitude (decidir aceitar o convite a não se pronunciar mais neste blog) após o meu post suscita algumas dúvidas....

Medico Explica disse...

Caro Luís: foi colocado pelo próprio, como comentário. Qual a sua perplexidade? Foi uma atitude digna do professor.

Luis disse...

Refiro-me neste caso, a ter mudado de opinião sobre a sua actvidade como comentador neste blog, sem nenhuma evolução na discussão mantida além dos posts da Sandra e meu!:
-"Acedi. Sempre disse que não mais comentaria neste blog, se o anfitrião o pedisse. Ele fez o pedido, que não o respeitei na devida altura, tendo em conta a linguagem deselegante que este usou para se referir à minha pessoa. Respeito-o agora."


A minha pergunta é:"porquê agora?","o que é que o fez mudar de ideia?", se o MEMI não pediu delicadamente (que se tenha visto no blog) e não houve mais desenvolvimento na matéria...
Obviamente que não descuido elegância do professor na apresentação da sua despedida! Foi muito...politicamente correcta e quase perfeita! Estranho...

Relativamente aos motivos da sua despedida, também é obvio que após lançar esta questão, haverá tempo para urdir uma resposta minimamente satisfatoria, e eloquentemente esclarecedora...Aguardemos...

Ao lançar esta questão, quero referir o facto de possivelmente o professor se ausentar, por temer estar a expor-se demasiado, juntamente com os seus amigos médicos... E eu faço questão de salientar este ponto, porque ressalta uma das atitudes que eu mais desprezo em nós, cidadãos portugueses...

Quando se trata de criticar e dizer mal, apontar o dedo ficticiamente ou levantar injurias, calunias, preconceitos, acusar, difamar, etc, etc, etc...Todos os locais são bons, desde que nunca tenha efeitos práticos na vida real...Não há que assumir responsabilidades!!

Apontamos o dedo a alguém, mas escondemos a mão e a cara...
Diz-se que se tem um conhecido, amigo padrinho, etc, que faz isto ou aquilo...MAs nunca se diz quem, onde, quando, como...E quando algum fiscal pergunta...De repente houve um colapso na memória...

É por isto que não se vai pra frente, que se está na miséria, e que os "vilões" sãem incólumes nas suas façanhas...Além de que existe demasiada facilidade em dizer mal de alguém...Sem provas!!

Reparem que, se for dada a hipótese de revelar os falcatruas e as identidades dos prevaricadores...Já cá não se encontra ninguém..."Não fui eu que disse, aliás, porque eu só ouvi dizer...Mas critico acerrimamente quando ninguém de lei me ouve...Sou o verdadeiro conhecedor da verdade e o justiceiro corajoso...

Enfim, é-se um cobarde irresponsável e sem valor algum, que desconhece a palavra Honra, e até, por vezes, inteligência...

Este mal grassa pelo nosso país como chamas em petróleo, e a curto, médio e longo prazo irá determinar a nossa desgraça... Assim, com estas atitudes, nunca fomos e nunca iremos para a frente!!

Os espertalhões saloios levam a sua avante (Cito o mediático "Avelino ferreira Torres", "Fátima Felgueiras"...), os comparsas anuem, e as coisas mantêm-se igual...A culpa obviamente é, e acaba sempre por ser do sistema!!

Os portugueses não conhecem o conceito nem o significado verdadeiro da palavra cidadão... Há falta de honestidade (os políticos mentem com quantos dentes tÊm), falta de Honra ( [quase] ninguém cumpre os compromissos assumidos...), falta de coragem (ninguém aponta o dedo a ninguém com medo das consequências), e demasiada facilidade de palavra (falar-se do que não se sabe e defenderem-se mentiras com unhas e dentes)...

O que mais aborrece é que o povo (iletrado, e, algumas vezes letrado) engole patranhas como se fossem um dogma divino...

Além do mais, há uma máxima dos políticos que me fascina: "O povo tem memória curta!" Um povo de ignorantes e espertalhões...Nem mais, nem menos... bem, também quero ressalvar "nem sempre nem nunca", como quem diz "nem todos nem nenhuns", há excepções!

Não sei se a atitude do professor se enquadra neste retrato que pintei, mas o certo é que esta é a mentalidade do povo português, e, enquanto não mudar...a esperança de virmos a integrar o primeiro mundo num futuro longínquo...simplesmente...esvai-se!!

Ajudem e contribuam para a mudança do nosso futuro...Assim, nem sequer temos futuro!!

Medico Explica disse...

Concordo consigo e se seguiu a discussão do princípio até ao fim, embore considerasse os comentários do prof. Boldão, muito primários nas críticas e sempre generalizando a toda a profissão (e quem não sente, não é filho de boa gente), apenas me "abespinhei" quando alguém hiperhiperhipercrítico com os males dos médicos, afirma que se dá com aqueles médicos que nós também conhecemos, e que não os denuncia apenas porque é amigo. Não posso concordar.

Anónimo disse...

É pena o dito professor boldão, ter saído desta forma. Ele era um contra-peso neste blogue. Hoje, o blogue "Médico Explica..." ficou mais pobre. Lendo os os comentários do autor deste sítio, reaparei que na maioria daa vezes foi rude e até foi "deselegante", para citar o sr. boldão. Mas, este professor foi em parte a razão que me trazia para fazer ler o blogue.

Ricardo Carvalho

Luis disse...

Pois é Ricardo,

outro fenómeno típico dos portugueses... Só onde houver bulha e barulho é que há interesse...

Neste caso "o contra-peso" do Sr. Boldao era o arremessar argumentos e acusações contra os médicos, como se de projécteis se tratasse... Isto o ricardo gostava de ver...

Se se lançassem estatísticas, métodos de funcionamento, regras a seguir, procedimentos, custos, problemas, soluções... A conversa seria "completa" e "esclarecedora", mas para si e para muitos outros não teria interesse...

E a prova disto está em que fiz vários posts com informação que podia ser comentada e criticada, mas as reacções e as armas eram sempre apontadas onde houvesse bulha...ou seja, ao sr. boldao e aos seus comentários cortantes, polémicos e incompletos (desprovidos de uma concepção global)!!

O Ricardo não quer colocar um post a criticar algo que conheça ter sucedido, e que entenda ter sido mau (o tal contra-peso), para a gente poder avançar teorias sobre o como, porquê e o que devoa ou não ter acontecido?

Estas eu acho que seriam discussões profícuas e interessantes...

Tudo o resto é uma espécie de Show... Como por exemplo as agressões verbais do Pôncio Monteiro e do Fernando Seabra no "Domingo desportivo" (creio que era assim que se chamava!)

Diga a verdade, o sr. quer é confrontos, não é?

Marques disse...

Tou a ver que o Luís quer ser uma cópia reles do Boldão. Ele era talvez um pouco incisivo em demasia, mas denotava muita inteligência e via-se que estava dentro do assunto da saúde... ao contrário do Luís (pouco inteligente e patético). Deixe-se de imitações rascas homem... faça o mesmo, demita-se!
Parabéns ao seu weblog. Volte aos comentários médicos, que eram o seu habitual... e com a qualidade que sempre nos habituou!! Abraço.

Luis disse...

Querer ou não querer...

E o que é que o Sr. Marques quer com esse comentário? Mais uma briga?

Vou informá-lo: eu descobri este blog na precisa altura em que ainda se germinava a disputa com o Sr Boldão... Nada de mais... Mais uma como tantas outras discussões...
No entanto, não pude deixar de comentar, porque simplesmente queria contribuir com informação adquirida ao longo de alguns anos num grande hospital, para que houvesse mais informação útil para a discussão (uma opinião, se quiser)... Ora, ninguém prestava atenção!! Então, fiz aquilo que me pareceu apropriado...Meti-me com alguém... e valeu a pena!! Então, como pode ver...Já alguém prestou atenção ao que eu disse. Obrigado Marques.

Acção....reacção. Simples...:)

E estou plenamente de acordo, voltar aos temas médicos, que é o que a mim me interessa...particularmente!
E olhe, porque é que se sentiu incentivado a escrever o post anterior?

Luis disse...

Marques até é um apelido sonante...daqueles que alguém poderia utilizar para um pseudónimo!! Está de volta Raúl?

A net é super-atractiva por estas coisas...Jogos psicológicos e de anonimato!
Além de interessante é divertido!!

Anónimo disse...

Descobri o medico explica tinha ele poucos meses. sempre foi enriquecedor até aparecer boldões, luíses e companhia. só pedir ao doutor para continuar o formato que sempre teve, e que neste momento está a ter novamente. nada mais. sem guerras ou disputas. só quero ler.

Marques

Anónimo disse...

Só lhe disse a si q o "fenómeno" boldão. e certamente n saíu por sua causa. Mas n percebo pq um simples prof causa tanto alarido?
Quem queria guerra é o sr, amigo Luís!!

Ricardo Carvalho

Luis disse...

Espero que colocando um ponto final neste assunto:

Marques: eu gosto do que o MEMI escreve e também gosto de discutir problemas, porque da discussão sai a luz! Não gosto é de discussões em que apenas se "mandam farpas"...Porque não levam a lado algum, senão a alguma agressão ou violência!! E isto fiz e faço questão de criticar!
Não, não sou incisivo como o Boldao foi, nem me pronuncio sobre qualidades de quem não conheço...Apenas adoro argumentar e contra-argumentar...Para mim isto é fascinante, e por tal lhe pareça menos interessante e inteligente...São pontos de vista! :)
(Não acha que se se discutirem assuntos, todos enriquecemos "ainda mais"?)
Você tece considerações sobre quem não conhece com demasiada facilidade...Mas está no seu pleno direito! É a democracia...;)

Ricardo: eu sei que o fenómeno Boldão não desapareceu por minha causa! Nem é do meu interesse que assim tivesse sido, nem descobrir porquÊ! Apenas faço questão de salientar que foi uma presença até certo ponto "irritante",e que se foi sem mais nem menos. Não era preciso isso...Até era bom um ponto de vista diferente, para, como digo, se discutirem hipóteses e modos de mudar algumas coisas que se encontram ao nosso alcance. Isto era giro, porque teríamos a visão de uma pessoa exterior a este mundo. Obviamente, que sem mandar as "farpas" dilacerantes que normalmente distorciam a discussão! Por as discussões serem agressivas e não informativas é que estranhei o Sr. sentir a sua falta...não lhe parece lógico?
E volto a repetir que eu gosto de argumentar e contra-argumentar...Não gosto simplesmente de mandar umas "postas" para me fazer sentir superior! O que eu gosto é de informação...E de uma boa guerra de argumentos. Dispenso a violência gratuita! Isso sim é para os que não conseguem pensar...

Eu sou médico, e é possível que talvez vocês me entrem pelo consultório algum dia! Nesse dia, se eu tiver discutido e souber de muitos problemas que as pessoas aqui levantaram, talvez esteja melhor preparado para satisfazer algumas das necessidades dos doentes, e, quem sabe, de vocês!

Ao mesmo tempo espero chegar até às pessoas ao informar aqui, através das posturas assumidas, que há melhores maneiras de abordar assuntos...isto traria uma melhor compreensão do mundo a todos e ajudaria, no meu ponto de vista, a melhorar qualquer coisa!

Espero que tenham percebido que não gosto de "maltratar" ninguém...Gosto é de uma boa argumentação...A maioria das pessoas gosta é de...picar!! ;) Não é verdade Marques?

MEMI, há quantos anos exerce? Eu gostava de saber se as pessoas que são mais criticas relatiamente as suas atitudes médicas são as de maior ou menor grau académico...E isto para perceber quais são as pessoas que assumem posições mais críticas perante o seu saber!

Luis disse...

Espero que colocando um ponto final neste assunto:

Marques: eu gosto do que o MEMI escreve e também gosto de discutir problemas, porque da discussão sai a luz! Não gosto é de discussões em que apenas se "mandam farpas"...Porque não levam a lado algum, senão a alguma agressão ou violência!! E isto fiz e faço questão de criticar!
Não, não sou incisivo como o Boldao foi, nem me pronuncio sobre qualidades de quem não conheço...Apenas adoro argumentar e contra-argumentar...Para mim isto é fascinante, e por tal lhe pareça menos interessante e inteligente...São pontos de vista! :)
(Não acha que se se discutirem assuntos, todos enriquecemos "ainda mais"?)
Você tece considerações sobre quem não conhece com demasiada facilidade...Mas está no seu pleno direito! É a democracia...;)

Ricardo: eu sei que o fenómeno Boldão não desapareceu por minha causa! Nem é do meu interesse que assim tivesse sido, nem descobrir porquÊ! Apenas faço questão de salientar que foi uma presença até certo ponto "irritante",e que se foi sem mais nem menos. Não era preciso isso...Até era bom um ponto de vista diferente, para, como digo, se discutirem hipóteses e modos de mudar algumas coisas que se encontram ao nosso alcance. Isto era giro, porque teríamos a visão de uma pessoa exterior a este mundo. Obviamente, que sem mandar as "farpas" dilacerantes que normalmente distorciam a discussão! Por as discussões serem agressivas e não informativas é que estranhei o Sr. sentir a sua falta...não lhe parece lógico?
E volto a repetir que eu gosto de argumentar e contra-argumentar...Não gosto simplesmente de mandar umas "postas" para me fazer sentir superior! O que eu gosto é de informação...E de uma boa guerra de argumentos. Dispenso a violência gratuita! Isso sim é para os que não conseguem pensar...

Eu sou médico, e é possível que talvez vocês me entrem pelo consultório algum dia! Nesse dia, se eu tiver discutido e souber de muitos problemas que as pessoas aqui levantaram, talvez esteja melhor preparado para satisfazer algumas das necessidades dos doentes, e, quem sabe, de vocês!

Ao mesmo tempo espero chegar até às pessoas ao informar aqui, através das posturas assumidas, que há melhores maneiras de abordar assuntos...isto traria uma melhor compreensão do mundo a todos e ajudaria, no meu ponto de vista, a melhorar qualquer coisa!

Espero que tenham percebido que não gosto de "maltratar" ninguém...Gosto é de uma boa argumentação...A maioria das pessoas gosta é de...picar!! ;) Não é verdade Marques?

MEMI, há quantos anos exerce? Eu gostava de saber se as pessoas que são mais criticas relatiamente as suas atitudes médicas são as de maior ou menor grau académico...E isto para perceber quais são as pessoas que assumem posições mais críticas perante o seu saber!

Anónimo disse...

Ó luís, deves ser tanto médico como eu sou o prsidente de república. Vaí-te embora!!

Medico Explica disse...

Acredito que o Luís seja médico, ainda jovem e cheio de ideias, como as tive há 20 anos, queria mudar o mundo, mas nao consegui. E o que se passa em França é a resposta: o capitalismo é assim. Mas isso é outra história. O Luís está bem intencionado e espero que assim continue. A medicina precisa de jovens médicos inteligentes e bem intencionados

Anónimo disse...

Não MEMI, o Luís algures num comentário em resposta ao boldão (leia atrás), referiu ser um trabalhador com "uma experiência de largos anos num grande hospital". Eu penso que é mais um sencionalista como tantos os outros que são demagógicos aqui no seu blogue, mas lá fora serão os piores. E não é médico. Talvez administrativo, no máximo. Mas anda à procura dos seus 15 minutos. Um abraço.

Luis disse...

BullsEye MEMI!

Os que falam a mesma língua compreendem-se! :)
Alguns aqui sentem-se como o Papalagui se sentiu Há alguns séculos...Não compreendem o mundo onde vivem os seus primogénitos...

O Sr(a) é livre! Pode simplesmente ignorar-me...Quem estiver interessado em trocar argumentos comigo, pode fazê-lo...

Mas, isto eu realmente não percebo!...Porque é que quer que me vá embora?

P.S.- Talvez, se incomodo o Sr. Anonymous, me permita trocar alguns pontos de vista consigo por e-mail MEMI!? Seria um prazer poder conversar consigo sobre alguns assuntos...

Luis disse...

Caro Anonymous

Largos 6 anos de ensino num Hospital! Se o Sr. se está relacionado com a medicina, deve mais do que saber isto.

Anónimo disse...

Sim, estou relacionado com a medicina mas não sou médico, sou técnico de análises. Ensino de 6 anos? quer dar a entender que é médico? Já estou um pouco farto do diz que disse neste blogue. Olhe para já, o único que acredito que é médico é o autor do blogue.
E já agora, que opiniões (de tão grande importância) quer partilhar connosco?

Sandra Feliciano disse...

Luis e MEMI:

Cenas de pancadaria à parte neste rol de comentários, apenas quero dizer o seguinte:

1) A Pessoa por trás do nick raul boldão, conseguiu finalmente deixar uma impressão positiva no último paragrafo da sua despedida - finalmente teve o cuidado de não generalizar e teve umas palavritas amáveis e de reconhecimento do valor dos médicos que são dignos da profissão que exercem. Vá lá, mais vale tarde do que nunca!

2) Concordo ipsis verbis com a posição do Luis face à grande problemática da cultura portuguesa no que toca ao facilitismo do mal dizer subjectivo e generalizado e à cobardia para contribuirem com acções concretas baseadas em dados objectivos e factuais para mudarem o estado das artes nas diversas áreas/profissões.

3) Quem gostava de trocar uns emails convosco era eu, porque brevemente vou iniciar a recolha de inputs para a revisão internacional do "Bochum Protocol" e nesse âmbito gostava de recolher os vossos. Se quiserem colaborar, enviem-me por favor um endereço de email de contacto para felicianosandra@gmail.com.

Anónimo disse...

"Eu sempre fiz as minhas críticas, em relação a uma classe...": louvável, demonstrativo de objectividade e seriedade, dando aos objectos da crítica (a "classe") oportunidade de convenientemente poder explicar o que quer que seja.

"...Outro grande exemplo da avidez de dinheiro por parte da classe médica... devido a um DL caído do céu, os bolsos dos contribuintes são assaltados todos os dias, por médicos -(!!!)- que ao invés de serem pagos pelo seu índice salarial, são feitos pelo índice máximo, em regime de exclusividade. Um atentado, num país que, se diz em crise"; alguém reparou na pirueta?

"...os médicos têm toda a vantagem em manter a razão da oferta/procura favorável à classe..."; os médicos que trabalham no ministério da Educação? os do Governo? ou os médicos a sério, os que nada têm a ver nem nada podem fazer quanto a isso? Devia ler mais os posts e comentar menos, o Sr. Boldão, isto já foi explicado muito mais que uma vez. Se bem que o alvo são intelectuais, bem sei....

A descoberta que o desemprego leva a trabalho precário, qual "roda" dos tempos modernos. Vai mais um Nobel, desta vez da Economia, para o Sr. Boldão.

Pelo meio o cumprimento aos pretos que não se deixam "tentar" pela delinquência, os parabéns aos ciganos pela sua fantástica cultura....

Tudo polvilhado, como pretendi provar no parágrafo anterior, com o maior dos preconceitos travestido de indignação, sem faltar a cereja da vitimização final pela incompreensão pelas suas opiniões facciosas e carentes de qualquer argumentação possível, porque genéricas, porque generalistas, porque não se dirigem aos "bons" (os que estão a ler) mas só aos "maus" (os outros todos...).

Bem haja pela sua decisão de não voltar a comentar, o site era muito visitado muito antes da participação do Sr. Boldão, e continuará a sê-lo após a mesma. Os que acham que se perde alguma coisa ficam desde já convidados a mudar de poiso na net. Não fazem falta nenhuma, nem nunca fizeram.

Bem sei que faltei ao prometido de não lhe dar mais tempo de antena. Paciência, essa coisa da vilanagem, bem o sabe porque o defende, está-me entranhada no sangue.

AV

"The turth is ou there" disse...

Para o "AV":
Então ó mestre, porque é que ainda não abriram faculdades de medicina privadas? A formação tem de ser rigorosa? Está a dizer que a formação dos outros cursos (ex. medicina dentária) não é rigorosa? (MED. Dentária existe no privado!). Cale o bico, todos sademos que o lobby médico é muito forte neste aspecto! Não há medicos a trabalhar no ministério da educação? Talvez não com cargos oficiais, mas "nos bastidores", há sempre uma opinião que influencia... Não venha negar o que é do conhecimento público... É certo que com estas "pressões externas" as coisas têm estado paradas em termos de ensino de medicina.... Gand'a Lobby!!!

Medico Explica disse...

Sandra Feliciano: "Bochum Protocol"?

Medico Explica disse...

Já expressei em muito anteriores bilhetes que sou contra a abertura de novas faculdades e particularmente privadas. A faculdade que me formou em 1979, ainda existe tal e qual, e formava cerca de mil médicos por ano. Porque não os forma agora? As novas tecnologias, que no meu tempo não existiam, facilitariam muito o ensino. O problema é que o Estado (governos) não quer investir, não paga a professores, a monitores, a materiais didácticos, etc nas actuais faculdadses de Medicina. Estas podiam abrir muito mais vagas, obviamente com mais custos. Sei que há leitores deste blog que ensinam nas Faculdades, que emitam a sua opinião para que o pensamento-tipo à sr Boldão desapareça de vez da cabeça dos intelectuais.

Ivone Marques disse...

Agora quem vai hibernar sou eu. Tinha de aparecer um anónimo a assinar com um dos meus nomes. Livra!

Luis disse...

Argumentos "pró" e "contra" a abertura de Faculdades de Medicina privada são muitos, e é "também" por isto que este dossier não avança.

Para centrar a discussão num ponto, neste momento, podemos dizer o seguinte:

:: Nos projectos de Faculdades de Medicina Privadas, avançados principalmente pela Universidade Católica, contemplavam-se os seguintes parâmetros de funcionamento:

- Jóia de inscrição = 10.000 euros
- Mensalidade = 1000 euros
- Gastos decorrentes do uso de material em laboratórios e durante as aulas práticas = por conta dos alunos (ora bem, se pensarmos que uma micropipeta para fazer as normais transferências de fluídos nos laboratórios de química e fisiologia podem custar de 1000 a 2000 euros, e que se gastam pipetas, tubos de ensaio, luvas, os reagentes-que são caríssimos, e por aí fora!)...
- Assumindo que o curso de medicina tem a duração de 6 anos
- Assumindo que os alunos têm ainda a acrescer os gastos normais decorrentes de viver o seu dia-a-dia...(alimentação, alojamento, vestuário, telecomunicações, transportes,...)

Digam lá quais seriam os alunos que não acedem ao ensino público de medicina e que poderiam aceder ao ensino privado?
- Acho que podemos concordar que não seria ninguém da classe média, muito menos ninguém cujos pais tenham empregos de média/baixa qualificação...Ora, estes são a larga maioria!

Neste ponto permitam-me também avançar que se são a larga maioria, é porque também é desta classe que florescem os melhores alunos a nível nacional!! Isto é um facto.( E na inha opinião, há ainda questões relativas à educação e ao carácter dos mais novos que são preponderantes na sua futura atitude profissional...Ou seja, os meninos mimados, normalmente, não deixam de ser mimados...! E com isto entendam o que quiserem!)

E agora digam-me se o dinheiro é critério para selecção dos indivíduos mais vocacionados para exercer medicina?

Além destes pontos, há ainda toda uma questão de logística. Neste momento as escolas estão sediadas nos hospitais centrais (os melhores, em termos de "estado da arte" a nível nacional, ou seja, onde estão os melhores profissionais e professores, sendo o local onde se cria o conhecimento)...
Quais seriam os hospitais que comporiam as alternativas para o leccionamento das práticas...Porque o que realmente "faz o médico" é a consolidação de conhecimentos na prática clínica!!

Esta é uma discussão interessante, porque alguns de nós achamos, que neste caso, o lóbby dos médicos favorece claramente o cidadão português e os seus jovens (porque a grande maioria é da classe média). Apesar disto ser sempre discutível...

The truth is out there disse...

Antes de mais, qualquer fluído (entenda-se soluto, solução, reaggente, etc...) com que se trabalha num lab em medicina, trabalha-se também num lab de química. Note bem que há cursos privados de química!! Um curso privado de engenharia (o que não falta para aí...) também necessita de recoorer a materiais caros para laboratórios!! Não se preocupe com os preços de medicina, há muito quem queira pagar! Nem que sejam os ricos (deixa a pública para os mais pobres)... Aliás já são os mais ricos que entram para o curso, pois fizeram o ensino secundário em caros colégios!!
Também não vejo qualquer problema na abertura de medicina privada! Se não aqui cursos, há aqui ao lado (espanha) onde o acesso é fácil (inúmeros colegas das minhas filhas forma para espanha). Os médicos, tentam a todo o custo evitar a aberura de mais faculdades, pois já sabem o que os espera! Uma das melhores opiniões foi a do MEMI, pois há largos naos atrás (antes dos rigorosos numerus clausus) formavam-se mais médicos por cada faculdade do que agora!!!
Também é verdade que mais tarde ou mais cedo vai abrir escolas privadas de medicina, pois as pressões forma muitas (nem enfermegem, nem medicina dentária conseguiram impedir essas pressões)!!

Raúl R Boldão disse...

Passo a citar o sr. Alfredo Vieira:
"Bem haja pela sua decisão de não voltar a comentar, o site era muito visitado muito antes da participação do Sr. Boldão, e continuará a sê-lo após a mesma. Os que acham que se perde alguma coisa ficam desde já convidados a mudar de poiso na net. Não fazem falta nenhuma, nem nunca fizeram.

Bem sei que faltei ao prometido de não lhe dar mais tempo de antena. Paciência, essa coisa da vilanagem, bem o sabe porque o defende, está-me entranhada no sangue."

De facto tinha prometido não mais cá comentar, no entanto hoje vim cá e fiquei de certa forma - admito - espantado pelo facto deste post já levar mais de 30 comentários (penso que será um recorde neste blog)... Mas o sr. Alfredo Vieira, não soube respeitar nem a minha decisão, nem tão pouco daqueles que aqui comentaram e que - reitero a minha admiração - se referiram à minha pessoa como "fenómeno Boldão". Esta atitude do sr. Alfredo, só mancha a sua imagem, que já sabia, era tosca, agora para mim, pior ficou. Talvez o meu eero tenha sido cá passar para dar "uma vista de olhos", pois talvez se não tivesse lido o comentário do dito sr., manteria o meu voto de cá não mais escrever. De facto os dias que correm já não são os que eram, e os votos têm mais tendência a ser quebrados, desta forma, reservo-me no direito de continuar a comentar, desta vez vou tentar ser uma pouco mais comedido (na medida do possível)... Áqueles que me acusarão de falta de palavra, agradeçam ao sr. Alfredo Vieira, um paradigma "paradoxal" deste nosso tempo. As minhas desculpas ao MEMI, que num comentário atrás considerou a minha atitude "digna", mas sempre esperei que ao fazer a minha despedida, acabasse de vez as ofensivas absurdas ao meu nome.

Raúl R Boldão disse...

Já agora, vendo os termos em que se tem processado esta discussão, aqui vai um comentários, retirado do blog "Gin Tónico", que achei muito interessante trazer para esta discussão:

"A grande competição no acesso a Medicina só se explica pelo prestígio social da profissão e pelos benefícios de que goza a classe médica.Se recuarmos uma geração, verificamos que só quem tinha vocação se tornava médico. A classe médica era mal paga e não havia serviço nacional de saúde que lhe assegurasse o salário. A paga era muitas vezes galinhas, coelhos e feijão.Dos actuais médicos, muitos entraram com médias abaixo de 15, tiveram tempo de namorar, passear, ir ao cinema, estar com os amigos e dormir com tranquilidade. A minha irmã é economista hoje, a mãe não a deixou seguir a vocação com medo que ela acabasse como a Dra que era sua vizinha; mal paga e chamada a toda a hora para acudir aos mais necessitados. Hoje é o oposto, os que têm vocação mudam de área e os que entram em medicina acabarão como a maioria actual; engordam nos consultórios privados à custa das listas de espera e do deficiente serviço de saúde no público, eles serão os comerciantes da medicina, classe em futura expansão!Em Paris uma consulta da especialidade no privado custa em média 20 euros, em Portugal custa 3 vezes mais! A falácia de que custa muito formar um médico é inaceitável, pois diminuindo as vagas nos cursos que colocam todos os anos milhares de licenc. no desemprego poder-se-iam formar mais médicos. O corporativismo da classe, representada pela OM é um dos principais culpados. É que havendo excedente a concorrência aumentaria e isso era muito mau para a classe, que perderia muitos dos privilégios e ver-se-ia obrigada a tratar os doentes com maior dignidade e humanismo. Eu não poderia ser médica, pois não sinto a mínima vocação, escolhi ser professora, e tenho pena das gerações vindouras, que irão pagar caro os erros cometidos nesta área. A disparidade de notas entre diversas escolas é sobejamente conhecida, a inflaccionação das notas também.É preciso mudar o ensino secundário, é preciso ensinar os alunos a pensar e fazer e não a debitar teorias e textos cristalizados, que nada dizem das suas capacidades sociais, humanas e criativas.

Publicado por: Maria Ferreira às abril 25, 2004 03:13 AM
"

Elucidativo?

Anónimo disse...

Nada elucidativo. Mais uma vez fazem-se afirmações sem bases de sustentação. Só para esclarecer: a maior parte dos médicos não faz medicina privada. Está em exclusividade nos Serviço Nacional de Saúde. Os que fazem só privada, são em número residual, dos que trabalham no público e ma privada, muitos apenas trabalham com avenças (sub-sistemas, seguros, etc). Resumindo, a privada a que se referem resume-se a algumas especialidades muito "culturalmente" procuradas como a pediatria e a ginecologia, a oftalmologia, a estomatologia e os grandes barões da medicina que se dão ao luxo de cobrar bastante por cada consulta, mas só vai quem qquer...

Anónimo disse...

Agora disse tudo: muitos estão em exclusividade!!!! Neste momento só a classe médica está em exclusividade na pública!! Há bem pouco tempo, praticamente negaram aos professores as acumulações no privado... obrigando-os a apenas trabalhar no público? Pagam-lhes exclusividade? Não.

Ao privado só vai quer quer? Talvez se alguns médicos trabalhassem mais um pouco no SNS, não haveria necessidade de ir ao privado! Porquê? Veja-se: A minha sogra foi ao Centro de Saúde, a médica chegou tarde, não atendeu todos, após reclamarem foi ainda mal-educada para alguns. Haviam de ver essa médica no privado a atender pessoas... doce que nem mel!! É triste, faz quase parecer que não gostam de trabalhar no público para ter trabalho no privado! Tomara, ela faz o mesmo trabalho, só que no privado "arrotamos" com mais de 65 euros!!

Anónimo disse...

Agora disse tudo: a minha filha foi para a escola, o professor faltou, ficou a dar explicações na privada, arrotei com 250 euros por mês, mas ao menos sei que ele está entregue. Não é igual. Eu por mim, punha tudo na privada. Acabava com os serviços públicos todos. Mas não falemos de casos particulares. Aplicam-se a todas as profissões...

Marques disse...

Eu pessoalmente não conheço nenhum médico que só trabalhe no público. Conheço sim, muitos em exclusividade que também trabalham na privada! Ou então que trabalhem em vários públicos... também os há! Ou então directores de CS que fazem bancos em vários hospitais (há bem pouco tempo o governo equiparou-os a altos vargos públicos, deu-lhes mais 500 euros por mês... mas eles não quiserem por portas avessas conseguiram anular esse decreto-lei, para continuar a fazer bancos... pois nos bancos 500 euros são uma migalha!!)!!

Marques (não relacionado com a Ivone :))

Anónimo disse...

"Agora disse tudo: a minha filha foi para a escola, o professor faltou, ficou a dar explicações na privada, arrotei com 250 euros por mês, mas ao menos sei que ele está entregue. Não é igual. Eu por mim, punha tudo na privada. Acabava com os serviços públicos todos. Mas não falemos de casos particulares. Aplicam-se a todas as profissões... "

Mas de todas as profissões só os médicos têm exclusividade!

Medico Explica disse...

Caros comentaristas: que confusão vai nas vossas cabecinhas, principalmente na do marques, tanta confusão que nem vale a pena replicar. Percebe-se que está ligado à saúde, mas está tudo muito ocnfuso.
Quanto à cabecinha do Anonymous said, eu digo, só como exemplo, os juízes.

Anónimo disse...

Pois, mas os juízes não saem mais cedo para ir para o tribunal privado, pois não??

Marques disse...

Eu pessoalmente não conheço nenhum médico que só trabalhe no público. Conheço sim, muitos em exclusividade que também trabalham na privada! Ou então que trabalhem em vários públicos... também os há! Ou então directores de CS(há bem pouco tempo o governo equiparou esses directores a funcionários de altos cargos públicos e deram-lhes mais 500 euros por mês... mas eles não quiseram, pelo que por portas avessas conseguiram anular esse decreto-lei, para continuar a fazer bancos... pois nos bancos 500 euros são uma migalhinha!!) que fazem bancos em vários hospitais !!

Marques (não relacionado com a Ivone :))

Mais legível?? Não quero que falte nada para perceberem....

Ivone Marques disse...

Meus caros amigos:
Os médicos são, salvo raras excepções, corporativistas. Que o digam os jornalistas que, por exemplo, são confrontados com casos de negligência médica. O número de médicos sancionados por actos negligentes fala por si. Há sempre alguém que sai em sua defesa. Mas os professores universitários também não podem gabar-se muito. As universidades públicas portuguesas são verdadeiros centros de “amiguismo” já que os professores são contratados não pelo que valem mas sim pelas pessoas que conhecem. E seguindo com o tema universidades públicas vs universidades privadas, há algumas coisas que posso afirmar com segurança. Já estudei em ambas e nada tenho contra as privadas. Obrigaram-me a “queimar as pestanas” e os professores eram, na sua maioria, de excelente qualidade. No público, nem por isso. Contam-se pelos dedos os bons professores que encontrei. E os bons nunca duravam muito, porque havia sempre um colega que, não conseguindo ultrapassar as suas claras incapacidades de outra forma, lá tratava de lhes “fazer a cama”. O próprio ministro do Ensino Superior afirmou há dias querer combater este tipo de situações. Por isso, aprendi a respeitar as privadas (o que não quer dizer que dentro destas não haja escolas com pior qualidade). Só tenho pena é que neste país os portugueses sejam obrigados a pagar para estudar. Quanto aos médicos, quantos mais melhor, sejam eles ou não “filhinhos do papá”.

Raúl R Boldão disse...

Alha questão privado/público. Após tantos anos ainda não tenho a minha decisão bem tomada. Estou de acordo em alguns pontos, noutros não. Por ex. o corporativismo dos profs univer's... poderá exitir na melhor das hipóteses uma amizade por pertencerem à mesma classe, no entanto, e quem está por dentro sabe, a competição desenfreada sem olhar a meios para atingir os fins, anula completamente este sentido corporativista, que já era muito pouco... Aliás, o que mais se vê nos meadros universitários é a "guerras" entre profs. Se um comete um erro, tem logo dez ou vinte colegas para lhe "fazer a cama" (para utilizar uma expressão da Ivone)...

Medico Explica disse...

Cara Ivone Marques:
Referia-me às universidades de medicina privadas. As universidades de medicina precisam de doentes e de doenças, raras e comuns. Somos um país de apenas 10 milhões. Quanto ao corporativismo, da forma tão ligeira como a palavra é aplicada, chego à conclusão de que todas as profissões são "corporativistas". E ainda uma outra questão: os médicos actuais, aqueles aos quais os media, dia sim, dia sim, acusam de negligência, tiveram uma formação pesada. Se a formação se aligeirar com a proliferação de faculdades de medicina, então aí é que advogados, jornalistas e outros terão muito trabalho para fazer...

Ivone Marques disse...

Não se zangue Doutor. Já sabe que eu falo com a alma. Tomara eu que os jornalistas fossem uma classe que se defendesse mais entre si. Contra mim falo, mas esta é uma classe completamente desagregada. Um conhecido autarca dizia uma vez: "o vosso problema é que defendem toda a gente mas não olham pela vossa vida". Subscrevo completamente. Os jornalistas são uma classe que não se defende a si própria. Quanto ao corporativismo tanto na medicina como no ensino ele existe. Poderia aqui enumerar um número infindável de casos (a maioria é incapaz de denunciar o colega que erra, o que eu considero sinceramente ser muito negativo). No que toca aos jornalistas, a Alta Autoridade torna regularmente públicas as sanções (e não são elas poucas)aplicadas a jornalistas ou orgãos de comunicação social que erram. Quanto ás universidades públicas/privadas, falo por experiência própria. Limitei-me a relatar aquele que é o meu conhecimento. Admito que em Portugal há um pouco de tudo, tanto na pública como na privada. Só que para mim foram duas experiências diametralmente distintas. Quanto aos concursos de professores, no ensino superior as coisas não funcionam como no resto dos graus de ensino. O sr. Boldão pode confirmar. De resto, o Estado é que tem a obrigação de assegurar a qualidade dos cursos, sejam eles no público ou na privada. Quanto à minha "ligeireza", resulta daquilo que eu sou obrigada a enfrentar num dia-a-dia que nem sempre é fácil. Chama-se a isto o "mundo real". E já sabe que eu gosto de dizer aquilo que realmente penso...E como sei que também fala "com o coração na boca", vou relevar o "desiludido".
Um abraço

Ivone Marques disse...

Mais uma coisa. Já todos percebemos que, como profissional, é uma pessoa integra. Isso não quer dizer que todos sejam o seu reflexo. O mesmo se passa com os professores, com os jornalistas, etc, etc, etc... Na minha profissão conheço muitos "mercenários" mas, só porque eu tento ser o mais correcta possível, não vou fazer de conta que eles não existem.Eu não tenho problemas em admitir essa realidade. Porque é que a si lhe custa tanto?

Luis disse...

Permitam-me só fazer este pequeno comentário:

- Agora a discussão está muito mais interessante e construtiva, e não houve necessidade de "violência"... Seria óptimo que isto se prolongue por muito tempo! Parabéns a todos, e também ao Sr. Boldão que está de volta!
Os anónimos podiam bem utilizar um pseudónimo, só para a gente identificar melhor os autores dos comentários e poder interpelá-los, se necessário!

Relativamente à discussão sobre o curso, vou continuar aonde tinha parado:

- os meninos que não frequentam a pública e podiam frequentar a privada, já o fazem (lá fora, é verdade). Além de ter sido publicada ontem uma notícia no diário económico explicando que não se abrem faculdades de medicina privadas, por falta de qualidade de ensino das propostas apresentadas, posso dizer que, numa viagem que realizei à república Checa, mais concretamnente À cidade de Pilsen a 80 Km de Praga, encontrei num local nocturno um grupo de 30 jovens que lá se encontrava a estudar Medicina.

Esses jovens eram todos de classe alta, pagavam quase o mesmo que se pagaria cá na privada, e por entre eles, contava-se a filha do Eng. António Guterres. (A maioria eram filhos de médicos e políticos...)
Ora, com isto quero dizer, os que podem pagar e tirar o curso pensando nas suas futuras regalias, JÁ O FAZEM.

Tendo isto em conta, eu também acho que se devia aumentar o nº de vagas no ensino público, para aumentar o nº de médicos e suprir as necessidades do nosso país. Mas este aumento devia ser à custa daqueles jovens que nada percebem destas regalias e direitos, mas sim do papel do médico como médico (têm de haver um método de selecção além das notas, como por exemplo acontece em França)!!!
Ora, a partir deste ponto torna-se complexo.

O nosso país é um dos países da Europa com melhor rácio médico/habitante. Há países nórdicos com menor numero de médicos por habitante, e que não têm os problemas de carência que nós temos. POrque é que isto acontece? (estudo do Prof. Bernardo relativamente aos recursos humanos do SNS- catedrático na Faculdade de Medicina do Porto)

1.Porque muitos dos que querem entrar em Medicina, são motivados pelos pais tendo em vista o seu brilhante (€€) futuro. Os indivíduos podem não ter aptidão nenhuma para isto, mas são induzido a aceder... Mal... PorquÊ?

2.Porque são estes indivíduos que não têm amor À causa, e que simplesmente trabalham por mais dinheiro... São aqueles tais que nem sequer chegam a horas, não olham nem vêm os doentes, entregam-lhes cartões para irem à sua privada, etc, etc, etc...Estes são os tais filhinhos do pápá...Os que podem pagar...os que só têm ambição de ser ricos, e ainda por cima são prepotentes.

3.Uma percentagem dos seleccionados hoje em dia, frequentou externatos, comprou notas e entrou, tendo em vista os lucros milionários da saúde. Trabalham no público para garantir nome, e endossam o grosso dos doentes à privada. Ou seja, no fim de contas, não trabalham!! E este é UM dos motivos pelo que o SNS não funciona bem. MAs atenção, como diz o MEMI, são uma minoria...E atentem nisto...Não se deixem iludir por conhecer umas dezenas, porque, se forem procurar mais, não encontram porque simplesmente não há.

4.Outro dos problemas pelo que o SNS não funciona, é pelos favores que se pedem. Toda a gente quer ser mais rápida, despachar-se primeiro e ser o esperta suficiente para passar à frente dos outros. Ora, há quem diga que não...Acontece o que é suposto acontecer...CAOS! E no Caos um sistema complexo não funciona bem...

Já são duas razões para o mau funcionamento do SNS...

Observação - A maioria dos melhores médicos no país trabalha em regime de exclusividade no público. Mas o normal cidadão não dá por eles...Porque eles não se expõem à propaganda para angariar clientes!!

Luis disse...

O que deveria ser feito em Portugal:

- em portugal devia haver grupos de missão que fizessem estudos prospectivos sobre as necessidades do país em determinada área laboral com necessidades fixas (ensino, segurança, justiça, saúde), fixando assim o nº de vagas disponíveis no ensino apropriadas às necessidades previstas(com algum excesso, para permitir uma almofada preventiva).

Pressuposto:: a população portuguesa é estável nos 10.500.000 habitantes e há uma necessidade fixa de x profissionais públicos (saúde, justiça, professores, etc).
Se todos os anos se reformam Y indivíduos, significa que todos os anos devem ser formados Y indivíduos! Nem mais nem menos! Óbvio, não é?

Assim não haveria falta nem excesso de profissionais. E os professores, por exemplo, não teriam de lidar com um número crescente de desempregados... (20.000 assustador) Vejam que ninguém pensa nesta simples equação, e continuam a formar-se milhares de professores todos os anos... Directamente para o desemprego!!!
Porque é que os sindicatos não param isto?

Isto não é ser lobbysta, é ser inteligente e assegurar a estabilidade social e económica da nossa sociedade!!!!

Em Medicina, é necessário antes de abrir mais vagas (eu concordo com isto, fazem falta mais alguns milhares! Está nos estudos feitos pelo Dr. Amaral), mas não se devem aceitar quaisquer indivíduos e a qualquer preço, porque o sistema (de tão complexo que é) falharia novamente! Há que seleccionar melhor os profissionais, educá-los melhor, instruí-los e colocá-los onde a sua vocação determine... Isto é a resposta...Só é difícil porque dá ligeiramente mais trabalho...e elimina o factor C tão caro de todos nós os portugueses!!

Há muitos alunos de 18 que vão para outro curso de saúde, e que claramente dariam melhores médicos que alguns dos meus colegas...É uma verdade inegável!

ora, como podem ver, este "mal" (porque afinal de contas não é assim tão mau, é o 12º melhor") tem que ser combatido em várias frentes!!
É um todo, e não só um ou outro aspecto...

O factor €€ não deve ser o motivo de vir pra medicina, nem o motivo pelo qual as pessoas se revoltam contra médicos e instituições...

O motivo da revolta deve ser fazer o que é melhor, e não só na medicina, em tudo!!

O mal dos portugueses (em geral, nem sempre nem nunca, nem todos nem nenhuns!!) é que querem ter tudo sem fazer nada...E para isso recorre-se à esperteza saloia e às amizades de conveniência e aos furos do sistema.

Os "Nobres" que podiam evitar e combater isto, simplesmente rendem-se...

Medico Explica disse...

Ivone:
Você acha que esta frase: "o vosso problema é que defendem toda a gente mas não olham pela vossa vida", aplicada aos jornalistas, como diz, é verdadeira?

Você acha mesmo que defendem toda a gente ou denigrem toda a gente? Por favor. É muito raro vocês darem o mesmo destaque na defesa do que no ataque.

Estou a ouvir o despronunciamento do deputado Paulo Pedroso. Independentemente da verdade, a verdade legal para já está determinada. Os jornais vão perder a mesma tinta com esta notícia com a que perderam quando o acusaram?

Perdoe-me. Mas a culpa não é do jornalista-pessoa, mas sim do jornalismo que se pratica.

Sabe quantas vezes já ouvi esta semana que duas jovens se beijaram numa escola e bla, bla, bla. Quer-se reprimir uma coisa que a TVI nos mete todos os dias pela casa dentro.

Dizia-me um colega seu aí do norte, num mail privado: “a sua luta é inglória. Sexo e saúde vendem sempre”.

Raúl R Boldão disse...

Finalmente vejo um bom comentário. O amigo Luís na sua última intervenção, referindo-se aos estudos de mercado para avaliação das necessidades profissionais, teve a melhor intervenção aqui neste blog. Sim senhor, esse comentário mereçe a minha admiração. Não porque seja inovador, não o é. Mas porque é um indício da interiorização da necessidade de realizar avaliações. Até lhe digo mais, as privadas vieram trazer o descalabro pela falta de maturidade avaliativa em relação às necessidades de mercado. O lema é "formar, formar, formar...". As privadas existem e temos de lidar com elas, mas se me perguntar se eu sou adepto das privadas, digo-lhe: não! Sou frontalmente contra! Agora, ou há para todos, ou não há para ninguém! Sempre defendi "com unhas e dentes" a pública, inclusivé cheguei a recusar convites de privadas, que desde já vos digo, eram tentadores!!
A questão da medicina: é um lobby, pois é. É uma excelente estratégia de mercado, manter a oferta abaixo dos níveis de procura. Todos sabemos porquê!
As remunerações: Muitos, provavelmente não iriam para medicina se fosse uma actividade mal remunerada. A minha sugestão é: os vencimentos deviam ser aferidos pelo nível académico e não pela profissão, ou seja, um médico como licenciado ganharia tanto com um engenheiro, um professor, um advogado, etc, etc, etc... Penso que seria mais justo. Gostava de ouvir as vossas opiniões. As questão das responsabilidades profissionais, é anulada pelo facto da escolha para o ingresso em qualquer destas actividades ser voluntária. Há uns tempos, um amigo, cujo filho penso que será de gestão (confesso que nem tive coragem de perguntar, pois o meu amigo assumiu que eu sabia o que fazia o filho.), está colocado numa empresa onde aufere cerca de 500 euros (ilíquidos!!)!!! Enquanto conheço outros licenciados cujo vencimento de entrada no mercado situa-se entre os 1500/2000 euros! Justo?

Marques disse...

Ouça sr. Boldão, se quiser falar em injustiça, permita-me que lhe fale nos vencimentos médicos. São um ultraje e um atentado ao bom senso e profissionalismo dos não-médicos! Trabalho num CS, sou administrativo e, como deve imaginar, estou muito por dentro dos vencimentos-ginastas dos sr. doutores. Se ao menos trabalhassem para o merecer!! Muitas vezes vãoi para casa com vencimentos com 5 dígitos sem terem feito nada para o merecer! Há SAP's que são "fontes de rendimento"....

Marques

António disse...

E há administrativos da saúde a ganhar horas extraordinárias nos hospitais, sem preparação nenhuma para tal. Ainda há dias tive que visitar um amigo num hospital e fui tratado abaixo de cão pelo administrativo da entrada. Mascava chiclet, com uma revista em cima do balcão e só à terceira é que me atendeu e ainda por cima deu-me uma informação errada. Os administrativos da saúde deviam todos ser reciclados obrigatoriamente. Que chamem licenciados desempregados

Marques disse...

E presumo que o antónio seja o tal "licenciado desempregado"...

Marques disse...

E presumo que o antónio seja o tal "licenciado desempregado"...

Ivone Marques disse...

Tdo o que seja "faca e alguidar" vende sempre. Não só por culpa do jornalismo que se pratica mas porque infelizmente é disto que os leitores portugueses gostam. Não é por acaso que o "24Horas" e o "Correio da Manhã" são dos jornais que mais vendem. A culpa é dos jornalistas ou dos leitores? Parece-me que possa ser de ambos. Mas o certo é que se não houvesse gente doente, o Doutor estava no desemprego... Penso que me percebe.

Ivone Marques disse...

Quanto ao caso da escola de que tem ouvido falar, a culpa será dos jornalistas ou de um director com falta de tacto e que não soube lidar com a situação de uma forma mais conveniente. Quando é o próprio director de escola a afirmar a uma rádio que não vai admitir que os alunos "andem a lamber-se uns aos outros" a coisa só pode acabar em notícia. Mas este é apenas o tal problema dos professores que preferem jogar berlinde...

Ivone Marques disse...

E agora apetece-me amuar.

Raúl R Boldão disse...

??

Luis disse...

Ha aqui um pequeno ponto que gostava de frisar...

Os medicos não se fazem "ricos" exercendo a medicina nos hospitais públicos... Há mercados de luxo para quem gosta de luxo! Esse mercado paga-se, e tem, como consequencia vencimentos astronómicos para quem nele trabalha...

E isto supondo que riqueza é auferir mais de 12.000 cts por ano!!

Como bem disse o Eng. Belmiro de Azevedo na entrevista ao "diga lá, excelência": um jovem licenciado, só porque tem um canudo, não pode pensar que é um ás, e que vai directamente para o topo. Começa por baixo, e se mostrar que é bom e que produz, é concerteza ascendido a uma velocidade vertiginosa...

Isto só não é assim a função pública porque é por antiguidade...Alguém concorda com este critério?!?


No público (SNS), há muitos faits divers que acabam, ou não, por equilibrar mais ou menos as coisas...Não funcionam assim tão mal, nem são assim tão dispendiosos...A corrupção, até nos centros de saúde também ajuda a corroer...Sei de muitos centros de saúde, onde pessoas de idade com pensões mniseráveis tinham de pagar aos administrativos para lhes ãrranjarem consulta mais cedo que 6 meses...Havendo hipóteses de isso assim ser feito!! Acham isto normal??? Isto são gente "pobre", e sem honra nem escrúpulos...Claro que depois a culpa é do Sr. Dr. e do SNS que nem disto faz ideia...

Olhem, os farmacêuticos ganham tanto como os médicos, os gestores de empresa pública ainda mais..E alguns são recém-licenciados...Cargos políticos na comissão não sei de quê, pagos a 50 euros à hora, e por aí fora...
Não sei que mais dizer! Este balde está furado por todos os lados...

Raúl R Boldão disse...

Realemnte, amigo Luís, o "balde está furado". Agora, esta questão que lhe vou fazer, é só para responder se souber... Quanto a si, quem "fez os furos" nO grande "balde" do SNS?

Luis disse...

Sinceramente...Não lhe sei dizer!

Um gestor de um Hospital S.A. dentre os primeiros qualificados a nível nacional em termos de qualidade e cumprimento de contas disse uma altura o seguinte:

- 2/3 do nosso orçamento (168 milhões euros) são para produtos farmacêuticos, químicos, etc...

O Hospital emprega 1600-1700 trabalhadores, dos quais 720 são médicos...
Perante isto...não sei que lhe dizer!

Uma maquina de TAC custa 350 a 400.000 contos, uma de ressonancia magnetica um pouco mais...Uma ecografo custa 30.000 euros ou mais... Uma maca das mais recentes e com colchão antiescaras e elevação automatica, para maior conforto do doente, custa 4000 a 5000 euros... Bem, e a lista continua...

Os produtos radiopacos são caríssimos, as quimioterapias astronómicas...

Sabe quanto custa uma prótese para colocação em aneurisma? 3.000 euros...Só a protese...

Ah, mais uma. Lembra-se da polémica das tiras de medição da glicose...Em que o "cartel" agora condenado as vendia a 20 euros a unidade..Ora, sabendo que elas podiam custar 7,5 euros a unidade, e sabendo que se adquirem milhoes por ano...

Sinceramente, não sei que lhe diga!! Isto é complexo, e não é um problema só português!!

Da responsabilidade dos médicos é a eficiência...COnjuntamento com todos os outros profissionais com quem trabalha!! Isto é que pode a nós ser imputado e exigido: eficiência!!!

Ah, lembrei-me de mais umas situações, no mínimo caricatas:

Numa reunião do conselho de administração de um dito hospital, um dos gestores (não-médico) disse brilhantemente o seguinte:

- temos de poupar, e podemos começar pelo "Naquele", que claramente estamos a gastar demasiado, é um absurdo!! Seguiu-se o silêncio, até que alguém disse: "Ah...Quer dizer NaCl 0.9%, não é?"... A partir daqui: no comments...

Outra situação:

Vocês já repararam nas ambulâncias com os vidros fumados que passam na cidade, de transporte de doentes? Cada uma leva cerca de 8 passageiros...
Ora, supondo que cada 2 vão para hospitais diferentes e que são todos transportados no mesmo dia e na mesma viagem, suporíamos que o estado pagasse só uma viagem... No entanto, os bombeiro habitualmente remetem uma factura para cada hospital, centro de diagnostico ou clinica de fisioterapia a que levam os doentes...
Ora, se em 8 passageiros os agruparmos 2 a 2 dá 4 facturas da mesma viagem. Ora, multiplique 4 por milhares de transportes que se fazem todos os dias...E multiplique por 365 dias...

A Subversão do sistema no seu melhor..

Medico Explica disse...

Ivone, volte e leia atentamente os comentários do Luís. São importantes.

Raúl R Boldão disse...

MEMI, juntamente a todos os problemas de custo que referiu (repare o nível de custos não é o euivalente ao restante mercado... sabe porquê?), junto uma história que já cá contei, de um radiologista que trabalha num certo hospital, que além de receber o seu vencimento como funcionário público, cobra ainda ao estado a sua actividade dentro do prórpio hospital! Como? Por cada exame de diagnóstico que realiza, cobra um X.... guardo agora um história de uma anestesista de um hospital distrital, que tenho conhecimento de causa, que fica mais tarde... é grave! Forma feitas denúncias, por pessoas que mais tarde foram "aconselhadas" a retirá-las.... Enfim, outro furo no balde!

Raúl R Boldão disse...

Desculpem-me os erros de dactilografia... é a pressa, é a pressa...

Anónimo disse...

"Talvez o meu erro tenha sido cá passar para dar "uma vista de olhos", pois talvez se não tivesse lido o comentário do dito sr., manteria o meu voto de cá não mais escrever"...

"...desta forma, reservo-me no direito de continuar a comentar ... Áqueles que me acusarão de falta de palavra, agradeçam ao sr. Alfredo Vieira, um paradigma "paradoxal" deste nosso tempo"...

O meu sincero pedido de desculpas a todos os simpatizantes do site. Acho que cometi um "erro médico" ao não refrear a pena. Mais valia ter ficado calado, tem razão Sr. Boldão.

AV

Ivone Marques disse...

Concordo perfeitamente com os comentários do Luís. Só me custa é que haja Administradores de Hospitais SA que se privam de comprar material de diagnóstico e tratamento que são necessários, e gastem parte desse dinheiro em viaturas de luxo que só servem os elementos da dita administração...E atenção que este recado não é dirigido aos médicos, que são dos que mais penam (obrigatoriamente calados)com este tipo de injustiças. "Este balde está furado por todos os lados..."

Raúl R Boldão disse...

Olhe Ivone, pegando nas suas palvras "são os médicos qua mais penam"... penso que não! O médicos são os que MENOS penam... os infelizes, isso sim, são os utentes.... esses é que realmente penam! Ainda não vi nenhum médico a "penar"! "Depenam" o dinheiro dos contribuintes (em alguns casos), até concordo...

Luis disse...

O seu problema na medicina é tão pura e somente a vertente económica!!
E é sempre por causa dos médicos!!

Não acha(m) isto estranho??
O Sr. é ambicioso, gostava de ter mais dinheiro, não gosta do trabalho que tem? Que é que se passa consigo?

Você conhece meia dúzia pensa que o resto é a papel químico..Além de não se preocupar sequer em saber por exemplo, qual é a despesa com o resto dos encargos que a medicina tem!
Você pura e simplesmente tem uma fixação pelos médicos...

E pensa que estes é que afundam o nosso país...Permita-me que lhe diga com todo o respeito, que age como uma pessoa ciumenta!!

E por falar em depenar... (para lhe mostrar que existe um mundo maior que uma centena de médicos):

Sabe quanto foi o vencimento auferido pelo Sr. Jorge Coelho através do estado (Tribunal constitucional)? 400.000 euros em 2004... E sabe quantos há como ele?...

Sabe quanto ganham os gestores da empresa de siderurgia nacional (presidente e vogal)? 7400 e 6900 euros respectivamente...

Sabe quanto auferem os gestores da CGD e altos quadros..Bem, estes de certeza que já ouviu falar!

Sabe quanto ganham por exemplo os gestores da empresa de águas da sua zona? lol acho que se arrepiava!!

Se o que o preocupa é estar-se a gastar muito dinheiro, pura e simplesmente arranje maneira de as pessoas não ficarem doentes, e o problema que o sr. coloca deixaria de existir!!


Oh sr. raul, ate se pode discutir a questão financeira e a sua implicação na medicina, mas também NÃO É SÒ ISSO!!

Raúl R Boldão disse...

Não tenho nenhuma "fixação", por médicos. Falo do assunto aqui, simplesmente porque... é um site de um médico!

Noutros locais, onde se encontram outros profissionais, falo sobre outros, ou seja, há um local específico para se falar sobre cada profissional. Aqui, fala-se acerca de médicos!

Não sou "ciumento", na altura em que foi tirar o meu curso superior, não havia o problema que existe hoje. Cada um inscrevia-se no curso que queria. Eu quis estudar física, gosto do que faço.

Bem sei que existem altos dirigentes a auferir bons vencimentos(e note bem, a minha preocupação não é se ganham mais ou menos do que eu... a minha preocupação centra-se no facto de dinheiros públicos serem mal gastos...), mas os milionários ordenados médicos são multiplicados por mais de 25 000 médicos! Não são 10 nem 20...!!
E depois... todos sabemos... as horas extra que não cumprem, prevenções que não cumprem, horários que não cumprem, listas de cirurgia que não cumprem, enfim...

Repare que antigamente, um médico era respeitado porque tinha trabalho, sacrificava-se pelo doente e a sua remuneração é baixa! Hoje em dia, a maior parte dos alunos querem ir para medicina pelos bons salários da classe! Enfim, coisas do conhecimento público!

Marques disse...

"Existem 3 mil médicos espanhóis a trabalhar em Portugal
[ 2005/11/16 | 17:54 ] Bruno Pocinho


Actualmente existem 3 mil médicos espanhóis a trabalhar em Portugal, em busca de maior estabilidade profissional e melhores condições remuneratórias.
Segundo dados da Confederação Estatal de Sindicatos Médicos (CESM) espanhola, a fuga contribui para melhorar a escassez de efectivos em Portugal, ao mesmo tempo que intensifica a falta de efectivos no Sistema Nacional de Saúde espanhol.

Segundo um comunicado da instituição, uma das principais causas para a saída de médicos espanhóis e a reduzida proporção da situação inversa ¿ a excepção a esta regra vai para o significativo número de estudantes lusos em faculdades de medicina espanholas que na sua maioria preferem ficar a trabalhar em Espanha - tem a ver com as melhores condições remunerativas do sector em território luso.

A esta vantagem, a confederação acrescenta em Portugal o reconhecimento social pela profissão médica é bem mais notório que em Espanha, onde a profissão não tem o peso na sociedade que outras actividades têm.

Dada esta transferência, a CESM alerta que é necessário exercer um maior controlo sobre os profissionais que atravessam a fronteira, nomeadamente ao nível das universidades e sindicatos lusos e espanhóis, que deverão supervisionar as qualificações de todos os médicos a exercer tendo em vista evitar que pessoas sem qualificações possam praticar medicina."

Fonte: www.iol.pt

Repare bem como o excesso de profissionais em Espanha, dimui o prestígio da profissão, os seus vencimentos, a seu poder reivindicativo.... Como se lê no artigo, em Espanha, medicina é menos prestigiada que outras profissões!

Espanta-me que como um país "menos rico" que Espanha, os médicos sejam a única profissão que ganha mais em Portugal que em Espanha!!
São estas coisas que não dá para perceber! Nisso, o boldão tem toda a razão (até rima)!

Marques

Anónimo disse...

salários professores em 2001

Anónimo disse...

tabelas 2004

quantos são ao todo? 60.000? 70.000? 100.000?

Raúl R Boldão disse...

Sei bem quem é o anónimo!

Os professores universitários, são em número bem inferior ao referido, e então catedráticos, são poucos.

Pense antes, do número de médicos, que além de receber o vencimento como médico, recebem também como professores universitários, e some os dois....

Luis disse...

Continuo a achar que aqui as pessoas só se encontram orientadas para o facto de os médicos (não se sabe quantos!!) terem os salários mais elevados...

Acho que devemos todos praticar um exercício de reflexão!

Colocando de parte as fraudes e demais práticas ilegais, vamos análisar os salários:

:: Um recém-licenciado (curso de 6 anos) deverá iniciar a sua carreira com 800 € suponhamos:

- por 35h semanais, o que dará o seguinte horário de trabalho: das 8-12h e das 14-17h. Isto durante os cinco dias da semana. Como qualquer outro indivíduo que trabalhe.

-Assim, o SNS funciona? é por demais óbvio que não.... É preciso assegurar cuidados contínuos 24 h (incluindo urgências)

-Então constatamos que há indivíduos que terão de trabalhar durante a noite.
Deve receber o mesmo ou mais, por ter trabalho nocturno frequente ?( de certo compreende que seria necessário reppetir várias vezes durante a semana o período nocturno)

- Suponhamos que recebe mais 200€ como suplemento nocturno.
Dá 1000 €!

-E agora, vemos que também é necessário assegurar cuidados ao fim de semana!! Ora, trabalhar ao fim-de-semana exige um complemento remuneratório...
Digamos um fim de semana por mês, mais 250€!

Vamos em 1250€!

-Agora adicionemos subsídio de refeição, mais 100€..

-Vamos em 1350€! Ora, vão lá ver a tabela de vencimentos qual é o salário mais baixo por 35h semanais?
Se forem 42h óbvio que terá de acrescer mais alguns euros...

-Agora, vejam que para progredir na carreira em termos académicos, é necessário prestar provas...Portanto, é formação, implica uma maior recompensa..
Isto aliado ao facto de quanto maior for o cargo de chefia, maiores são as responsabilidades, vejam lá se estão muito fora do razoável os salários médicos!! (www.simedicos.pt)

E agora, é necessário que se façam horas extra, para assegurar os Serviços de urgência e S.A.P.!

Quanto é que acham que se deve pagar por hora, sabendo que são horas para além das 35 ou 42h semanais, e que são em períodos de 12h? Digam lá de sua justiç~~ao, quanto pagariam por hora a um médico para estar no S.U., ou até mesmo para estar de prevenção (isto acontece porque a afluência não justifica pagar para ter lá um médico o tempo inteiro)!

Mas tenham em atenção que quanto mais qualificado, mais terão de pagar! É lógico, não é?

Luis disse...

Ah, falta esclarecer um ponto.

Além de tudo o referido anteriormente (que não foi exaustivo), porque é que os internos ganham mais?

Os internos são obrigados a completar a sua formação em estágios geral e de especialidade, tendo o estágio geral a duração actualmente de 1 ano (Ano Comum).

Que é que acontece?
Os internos candidatam-se a estágio nos hospitais disponíveis com a sua média de final de curso, à semelhança do que acontece com a candidatura ao ensino superior!

Então temos que, a maioria dos internos terá de se deslocar para hospitais fora da sua área de residência (que era a da universidade) e suportar todos os encargos deste estágio obrigatório. Por esse motivo, aufere o seu vencimento pelo indice 73!


E já agora, quantas horas é que os senhores acham que devia um médico trabalhar, por semana?

Anónimo disse...

Hmmm...Reparei agora que o senhor mencionou que há listas de espera que os médicos não cumprem.

Ora, esta afirmação é completamente desprovida de sentido.

1- os cirurgiões operam durante o seu período de trabalho.

2- Há um nº de cirurgia predestinado para cada dia (consoante o tempo previsto para a realização de cada uma), mas como as cirugias podem sofrer complicações, o tempo destinado para as cirurgias pode aumentar...
O que impossibilita, por vezes, a realização das restantes cirurgias programadas, porque estas seriam fora do horário de trabalho (e percebam, se o horário de trabalho é 7 horas, às vezes poderia passar para 10-12h)...
Aí não teriam de pagar só horas extra aos médicos, mas sim a todo o pessoal implicado:
- médicos, enfermeiros, auxiliares e pessoal de apoio do próprio bloco
- médicos, enfermeiros, auxiliares e pessoal de apoio das salas de recobro...(ora, o sr. já começa aqui a perceber a complexidade de uma coisa que parece tão singela como uma operação)!!

3- Imaginemos que há uma capacidade para a realização de 15 cirurgias por dia...Obviamente que se as necessidades de cirurgias aumentam à razão de 20 ou 30 por dia...
Vai haver alguém que não pode ser operado!Esta pessoa terá obrigatoriamente de ficar à espera...
Então, os candidatos na lista de espera são organizados por prioridade relativa às implicações da cirurgia na manutenção do seu estado de saúde...
É por isso que as hérnias inguinais, por exemplo, são muitas vezes relegadas para último plano e atrasadas, ficando muito tempo à espera, porque não representam uma urgência como por exemplo um cancro recém-diagnosticado...

4- Nalguns hospitais, não se realizam mais cirurgias, porque não há nº de blocos e logística inerente suficiente para aumentar a produção! E porquê? Porque construir e manter um bloco operatório é extremamente caro...

5- Noutros hospitais não se realizam porque não há nº de camas suficiente para acolher as pessoas no dia anterior, de modo a poderem ser preparadas para a cirurgia! E também não se podem planear e libertar camas automaticamente, porque não há tempo fixo para dar alta a um doente, pois podem surgir complicações... Há que deixar sempre um espaço morto no serviço para eventualidades...

Ora, como pode perceber, uma afirmação tão simples não se adequa nada à verdadeira realidade da medicina... Pode ser aplicada à física ou matemática, mas não à medicina...

Não é porque os médicos não querem que há listas de espera...É porque há muitas cirurgias para realizar, e o orçamento portuguÊs, com a qualidade da medicina que é praticada em portugal, não pode pagar um aumento da produtividade para resolver o problema definitivamente!!!! pode atenuar, mas não resolver...Mesmo que os médicos estivessem a preço de saldo!!

Luis disse...

Só para lhe dar uma ideia de um horário de bloco, para perceber como os cirurgiões não trabalham:

equipe: 2 cirurgioes + enfermeira instrumentista + enfermeira auxiliar + anestesista + auxiliar de anestesia + enfermeira circulante (7 profissionais - 1 sala operatória)

8h:: hepatectomia parcial (duração 4h) risco elevado

12h:: colecistectomia laparoscópica
(duração 1h)

almoço

14h:: gastrectomia parcial (3h) risco elevado

E como pode ver, 8 horas de trabalho, 7 profissionais mais o pessoal do recobro e da limpeza, 1 sala de operações, e 3 míseras cirurgias...´

Isto, se decorrer sem complicações... Que preguiça e que falta de produtividade...


P.S.-o post anterior era meu