terça-feira, novembro 01, 2005

Pum! Mais Um Tiro Na Demagogia

Segundo o Correio da Manhã e todos os seus afiliados (TVI, Expresso, 24 Horas, etc, "no Porto, Ensaio de remédio mata mulher" prosseguindo: "Um novo medicamento contra a artrite reumatóide terá sido fatal para uma mulher que se disponibilizou a testá-lo."

Depois cada órgão de comunicação tece os seus comentários e avisa os seus leitores de inúmeros processos levantados do chão, parece que num deles a família ia processar o Mundo.

Mas o que me custou nesta notícia, foi ninguém ter averiguado em que condições se efectuou essa disponibilização.

Terá sido gratuita?

Há profissionais mais indicados para me esclarecer, por exemplo, o nosso boticário poveiro, mas, segundo me parece esta disponibilização de doentes para testar novos medicamentos ou medicamentos já na fase X, não é gratuita.

Obedece a pagamentos mensais e outras regalias e a contratos escritos entre as partes. E tudo isso, pelos grandes riscos que se correm, assim como benefícios, caso o medicamento seja mesmo um êxito.

8 comentários:

Mário de Sá Peliteiro disse...

Consentimento esclarecido haverá sempre; benesses muitas vezes.

alf disse...

a despropósito, mas já que falou no boticário... "...- Vou ver se arranjo para hoje uma consulta de recurso com uma dos médicas.

O homem espera, espera, entra, dá licença, boa tarde.
- Diga! (Diz a cabra mal educada sem levantar a cabeça.)
- Ai e tal, sou insulinodependente e preciso de umas receitas com urgência.
- Quem é que o anda a seguir? (Diz a víbora insolente, sem sequer olhar para o doente.)
- Ninguém.
- É insulinodependente e não tem médico?
- Não senhora. Tentei mas...
- (Cala-se a estúpida, não diz mais nada, indiferente.)
- As suas lancetas são de que marca?
- O aparelho é este, as lancetas não sei, usei umas amostras, nunca comprei nenhumas...
- Vou-lhe dar 2 caixas de tiras e dou-lhe uma de lancetas, se não aceitarem na Farmácia este nome, não devem aceitar, volte cá outra vez.
Claro que voltou.
Claro que terá que recorrer à privada senão fica cego, sem rins, impotente, gangrenado, amputado, trombosado, enfartado..."
retirado de http://trenguices.blogspot.com/

Medico Explica disse...

É uma historieta no seguimento de outras:
1) só porque não levantou os olhos é cabra?
2) um diabético insulino dependente: que fez ele para ter médico? Exigiu? Falou com o responsável? Não. Até é melhor ir às consultas de recurso (que poderiam até nem existir!) e despachar-se...
3) Só porque não olhou para o interlocutor é víbora? A víbora até mostrou preocupação pelo facto de nao ter médico.
4) Mas ninguém se refere ao facto da farmácia não aceitar uma marca de lancetas ou ao facto da médica optar por outra marca que não a da marca de origem. Poderia ser uma máquina antiga. Talvez.
5) É uma história típica do Sr Boldão e que se aplicaria a qualquer profissão. Talvez esse jovem insulino-dependente quisesse algo mais, do que uma simples receita.
6) Uma consulta de recurso é sempre um recurso. Mas mesmo aí e contrariada, a cabra, a víbora, a estúpida, deveria levantar os olhos, quanto mais não fosse para ver se o parvo do insulinodependente, seria giro ou não.

Mário de Sá Peliteiro disse...

Caro amigo médico, só um pequeno esclarecimento, o jovem insulinodependente sou eu próprio.
A médica é cabra porque mal educada e porque completamente insensível e indiferente; o aparelho é um Accu-Chek Compact plus e a Farmácia nunca pode aceitar ou deixar de aceitar senão o SNS não lhas paga (as Farmácias dispensam a lucro zero); o jovem não queria mais nada que uma receita e na secretaria já tinha concluído da impossibilidade de ter um médico de família.

A sua atitude de defesa da sua classe é louvável - eu também o faço - mas não pode ser indiscriminada, senão pode ser interpretada como tendenciosa.

Imagine esta historieta tendo como protagonista um qualquer cidadão que não tem conhecimentos nenhuns sobre a sua doença crónica (alimentação, insulina, controlo...) nem dinheiro para um médico privado!

Abraço.

Medico Explica disse...

Caro, se reparar em disse que a médica deveria ter levantado os olhos, mas disso, apenas concluo que é mal-educada. Agora, cabra! víbora! e outras coisas! não acha que exagerou e que esses adjectivos deveriam ser enviados para o sistema de saúde que não lhe dá a protecção que necessita. Mas dou-lhe um conselho: se escrever uma carta ao director do Centro de Saúde da sua zona, que presumo será a Póvoa/Vila do Conde, explicando a sua situação, ou mesmo ao ministro ou à ARS, tenho a certeza de que o incluirão numa lista de um médico de família evitando a ida às consultas de recurso, que para mim não deveriam existir. Continuo a achar os adjectivos utilizados excessivos para a situação que descreve.
P.S. (suspeitei que fosse vc o personagem da história!)

Raúl R Boldão disse...

Ó MEMI, se estivesse calado estaria melhor. Em vez de meter os pés pelas mãos a defender os médicos... pense mais nos doente (inclui o diabéticos insulino-dependentes)!! É triste é haver muitas histórias "à sr. Boldão", tal como esta!

Raúl R Boldão disse...

Voçê é um homen de coragem a tentar defender... o indefensável!

Raúl R Boldão disse...

http://trenguices.blogspot.com/2005/10/rupatadina.html

Pelos vistos não sou único a pedir a desmistificação do mistério da Rupatadina.... Há mais quem peça!

Deixo-lhe o link (já deve ter visto, mas mesmo assim fica aqui disponível só para si...)!